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A Nova Caminhada
Poder Cotidiano - #068

Querido(a) leitor(a),
Imagina a cena: você está desesperado(a) por uma solução. Alguém que você ama está paralisado, sem perspectivas. Você ouviu falar de um homem que pode mudar tudo, mas quando chega ao lugar onde ele está, a aglomeração é tanta que não há a menor chance. As pessoas bloqueiam a porta, as janelas, todos os espaços. A sensação é de que você chegou tarde demais e que o acesso está definitivamente fechado. O que você faz?
Essa foi exatamente a situação enfrentada por quatro homens em Cafarnaum, narrada em Marcos 2.1-12. Eles carregavam um amigo paralítico em uma maca, movidos pela fé de que Jesus poderia curá-lo. O texto diz que, diante do impedimento, eles subiram ao telhado, abriram um alçapão e baixaram o homem exatamente diante de Jesus.
A princípio, parece uma história sobre persistência. E é. Mas, ao mergulharmos no texto com a ajuda de comentaristas estudiosos, descobrimos que esse episódio é um divisor de águas no ministério de Jesus, revelando camadas profundas sobre a natureza da nossa necessidade e o poder d’Ele para resolvê-la.
Exploremos juntos algumas verdades transformadoras que emergem dessa passagem.
A Fé que Enxerga Além do Obstáculo
A fé daqueles homens era ativa, criativa e coletiva. A expressão "vendo-lhes a fé" do verso 5, se refere ao grupo, tanto aos que carregavam quanto ao paralítico. Era uma fé compartilhada entre o enfermo e seus amigos.
Quantas vezes, na nossa vida, nos deparamos com "aglomerações" que nos impedem de chegar até a paz, a solução ou o alívio? São agendas sobrecarregadas, preocupações financeiras, relacionamentos difíceis ou nosso próprio desânimo. A lição aqui é que a fé genuína não se resigna diante do bloqueio. Ela procura uma rota alternativa. E, muitas vezes, precisa ser exercida em comunidade. Precisamos de amigos que nos "carreguem" quando estamos paralisados, e precisamos ser esse amigo para outros. A pergunta é: Você está disposto(a) a se sacrificar assim pelo seu próximo?
A Esperança que Começa no Lugar mais Profundo
Aqui está a reviravolta teológica. Quando o homem é baixado, Jesus não diz primeiro: "Levanta-te e anda". Ele declara: "Filho, os teus pecados estão perdoados". Para os mestres da lei, isso era blasfêmia. Mas Jesus estava revelando a hierarquia das necessidades humanas sob a ótica do Pai.
No texto original, a ação de perdoar está no tempo perfeito, indicando uma ação completada com efeitos permanentes. O maior problema do homem não era a paralisia física, mas a paralisia espiritual, a do pecado. Jesus vai direto à raiz. Ele oferece a esperança definitiva: a reconciliação com Deus.
Quantas vezes corremos atrás de curas para nossos problemas superficiais (a paralisia), enquanto Jesus quer primeiro nos dar a cura para nossa doença terminal (o pecado). Nossa esperança mais profunda deve estar ancorada não no que Jesus pode fazer pelo nosso corpo ou circunstâncias, mas no que Ele já fez pela nossa alma. Isso muda tudo. Significa que mesmo se a circunstância não mudar imediatamente (o paralítico ainda estava deitado quando ouviu sobre o perdão), nossa condição perante Deus já mudou radicalmente. Você busca primeiro o alívio imediato, ou a paz eterna que Cristo oferece?
A Motivação que Vem de uma Autoridade Comprovada
Jesus, percebendo a acusação silenciosa dos escribas, faz uma pergunta devastadora: "O que é mais fácil? Dizer ao paralítico: Os teus pecados estão perdoados? Ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?" (v.9). Na visão de Jesus, qualquer um podería afirmar o perdão, pois era invisível. Mas ordenar que um paralítico andasse exigiria uma prova visível e instantânea da autoridade por trás das palavras.
Então, Jesus diz: "Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados… a ti te digo: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa" (Marcos 2.10-11). A cura física foi um sinal visível da autoridade invisível, porém muito mais importante, foi perdoar os pecados.
A motivação para nossa caminhada cristã brota de reconhecer essa autoridade total de Cristo. Se Ele tem autoridade para perdoar meu maior problema (o pecado), então Ele tem autoridade sobre todos os outros problemas (as paralisias da vida). Podemos confiar e obedecer, mesmo quando não entendemos. A ordem "toma o teu leito" simboliza carregar consigo mesmo a evidência da cura. Nossa motivação diária vem de saber que Aquele que nos salvou é poderoso para nos sustentar em cada passo.
O relato termina com o homem levantando-se, diante de todos, pegando a maca que o carregava e saindo para casa. O objeto de sua incapacidade tornou-se o testemunho público de sua libertação.
Hoje, Jesus diz a você, que talvez se sinta paralisado pelo medo, pela culpa, pelo fracasso ou pela desesperança:
Reconheça o verdadeiro obstáculo. Pare de lutar só contra os sintomas. Leve sua real necessidade mais profunda de perdão e significado diretamente a Ele, mesmo que tenha que "descobrir um telhado" de orgulho ou rotina para fazer isso.
Aceite a palavra de perdão. Creia que, em Cristo, seus pecados estão perdoados (perfeito, acabado!). Isso é a base de toda esperança.
Levante-se pela autoridade d’Ele. Em vez de se definir por sua "paralisia" passada (seja ela qual for), pegue-a, transforme-a em seu testemunho e comece a caminhar na nova realidade que Ele declara sobre você.
A cura começa no interior, mas deve se manifestar em ação. Qual é a "maca" que você precisa pegar hoje? Uma conversa difícil? Um hábito a ser mudado? Um primeiro passo em direção à reconciliação? Um pedido de ajuda?
Não deixe que a aglomeração de dúvidas, o cansaço ou o barulho do mundo impeça você de chegar até Aquele que tem toda a autoridade. A rota está aberta. A palavra foi dada. Agora, levante-se e caminhe.
📩 Até Segunda!
Com você nessa jornada,
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