Promessa Absoluta para Dias Relativos

Poder Cotidiano - #067

Você já sentiu aquele frio na espinha do “e se...”? O “e se” do desemprego que ronda, do laço que se desfaz, da saúde que falha, da solidão que chega sem aviso. Em um mundo onde tudo parece provisório, contratos, relacionamentos, segurança, buscamos desesperadamente algo ou alguém, para nos segurar. Algo ou alguém que não mude, que não se desgaste, que não nos abandone no meio do caminho.

Pois é exatamente no coração dessa nossa insegurança mais profunda que a Palavra de Deus planta uma bandeira de conquista. Em Hebreus 13.5b, encontramos não um conselho, mas uma declaração solene, um juramento divino:

“De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”

Esta não é uma palavra de efeito. É a âncora da alma, forjada na aliança eterna de Deus. Vamos desvendar juntos o que isso significa para a nossa vida prática.

A Anatomia de uma Promessa Irrevogável

O autor aos Hebreus, escrevendo a cristãos perseguidos e tentados a voltar atrás, cita uma fusão de promessas do Antigo Testamento (Deuteronômio 31.6,8; Josué 1.5). A construção em grego é enfática, usando uma dupla negativa reforçada, algo como “não, não te deixarei; não, não, jamais te abandonarei”. É a forma mais forte de Deus dizer aos Seus filhos: isso é impossível para mim, Deus.

Esta é a resposta definitiva ao temor humano. A frase “Não sejais gananciosos” (que começa o versículo 5) e a ansiedade pela vida têm uma única cura: a consciência vívida da presença permanente de Deus. Ele não é um espectador distante; é o Deus que está conosco, na fornalha, no deserto, na turbulência, nas enchentes e tempestades.

Vamos desdobrar essa verdade em três pilares para nossa vida:

1. Fé que Desafia a Evidência
A fé não é um sentimento morno; é a decisão de acreditar na palavra de Deus mais do que no cenário que nossos olhos veem. Quando a conta não fecha, o diagnóstico assusta ou o futuro parece nebuloso, a promessa “nunca jamais te abandonarei” se torna o nosso novo dado real. Nossa segurança não está na nossa capacidade de segurá-Lo, mas na fidelidade d’Ele em nos segurar. Ele é o autor e consumador da fé (Hebreus 12.2).

Hoje, quando a ansiedade bater, interrompa o ciclo de pensamentos com a declaração audível: “Deus está comigo neste exato momento. Esta é a minha verdade maior.” Mude o foco do problema insolúvel para a Presença inabalável.

2. Esperança que Reconfigura o Amanhã
A esperança cristã não é um “tomara que dê certo”. É a certeza antecipada do bom desfecho da história, porque Aquele que a escreve é fiel. Se Ele não me abandonará, então nenhum capítulo da minha vida, por mais sombrio, é o fim da história. A solidão transforma-se em lugar de intimidade com Ele. A perda, em cenário para seu cuidado providencial. A esperança nos tira da posição de vítimas do acaso e nos coloca como herdeiros seguros de uma trajetória com propósito.

Em vez de perguntar “Por que isso está acontecendo?”, experimente perguntar: “Como a presença fiel de Deus pode se manifestar de maneira nova para mim através disso?”

3. Motivação que Nasce da Gratidão, não do Medo
Qual é o motor das suas ações? Muitas vezes, somos movidos pelo medo do abandono: “preciso me destacar para ser amado”, “preciso acumular para me sentir seguro”. A promessa divina desata esse nó. Se fomos radicalmente aceitos e jamais seremos deixados, nossa motivação muda. Trabalhamos, nos relacionamos e servimos não para conquistar a presença de Deus, mas porque ela já nos está garantida. O serviço vira gratidão; o esforço, confiança.

Avalie uma área de estresse na sua vida (trabalho, família, ministério…). Pergunte-se honestamente: “Estou agindo aqui a partir do medo de ser deixado à minha própria sorte, ou a partir da segurança de que Deus já está comigo?” Deixe a resposta redirecionar suas atitudes.

Viver à luz de Hebreus 13.5b não é criar um mundo de fantasia. É, sim, escolher habitar em uma realidade mais profunda e sólida do que a que os sentidos percebem. É trocar a pergunta paralisante “Deus está aqui?” pela declaração fundante “Deus está aqui. Portanto, eu sigo.”

Seu cotidiano se transforma quando você percebe que:

  • No trânsito caótico, você não está só.

  • Na reunião tensa, Ele é seu aliado silencioso.

  • No silêncio da noite, é companhia real.

  • Na celebração, é o Convidado de honra, a quem você agradece.

Você para de correr atrás de garantias frágeis e começa a descansar na única garantia que não se corrói. A coragem para perdoar, o ânimo para recomeçar, a ousadia para amar, tudo brota deste solo firme: não estou e nunca estarei sozinho.

Esta é a promessa do Pai, selada pelo sangue do Filho e aplicada pelo Espírito que em nós habita. O chão pode tremer, mas Aquele que é o nosso chão, não. Ele, de maneira alguma, te deixará. Jamais te abandonará!

📩 Até Segunda!

Crendo que a Graça é para os dias reais.
Poder Cotidiano

Conhece alguma pessoa que na sua avaliação deveria receber esses textos semanalmente? Basta digitar o e-mail dela aqui. É rápido, gratuito e descomplicado

Quer ler os textos anteriores? Clique aqui

Reply

or to participate.